Ernesto Estevan de Almeida Castro Filho, o “Nenê” é sem dúvida um grande exemplo a ser seguido por sua capacidade e determinação.
Precursor de uma das entidades mais respeitadas no cenário do surf brasileiro, a Associação Ubatuba de Surf, Nenê nunca poupou esforços para que o surf em nossa cidade chegasse onde está hoje.
Mesmo não estando diretamente ligado a entidade, Nenê é presença garantida como competidor nas etapas do Circuito Municipal.
Vamos saber um pouco mais da história do surf de Ubatuba através dessa lenda viva!
Rege Galvão: Como surgiu sua paixão pelo esporte?
Começei a surfar em 73. Havia algumas pessoas que praticavam o esporte no Rio de Janeiro, mas por aqui poucas pessoas praticavam o esporte.
Comecei com uma prancha hobby com quase 20kg, não havia referencias no esporte, nem cordinha.
Aos 19 anos foi quando eu comecei dar as primeiras braçadas com um amigo chamado Carlos Henrique que fazia faculdade comigo.
Era bem desgastante surfar naquela época sem cordinha. Eu morava em São Paulo e fazia faculdade de arquitetura em Mogi.
Rege Galvão: Naquela época em que não havia muitos surfistas como era ter uma prancha nova?
Não tive prancha nova e era bem caro. As pranchas vinham de Santos ou do Rio.
Rege Galvão: Sabemos que o surf naquela época era uma coisa mais de “feeling”, o que realmente importava era estar entre os amigos pegando boas ondas, isso mudou ao aparecerem às primeiras competições?
A pratica começou a se profissionalizar, os atletas do Rio eram bons e os de Santos também. A gente queria evoluir para surfar melhor ou igual aos cariocas e santistas.
Ate 82 o Rio era sobrerano.
Rege Galvão: Você também fez parte do rol dos surfistas que competiram por ai afora?
A partir de 79 e 80 em Florianópolis. Antes de 79 todos os campeonatos eram Sênior (Pro) e master (acima dos 25 anos).
O primeiro campeonato que separou foi o OP PRO que mudou inserindo a categoria profissional.
Em 80 fiz minha primeira viagem para o Peru, foi quando eu comecei a evoluir de verdade, pegando ondas grandes e em 81 viajei ao Peru, México, Costa Rica e Panamá.
Rege Galvão: O que basicamente mudou nas competições de 70 para cá na sua visão?
Após essas viagens passei a ter bons resultados nas competições, 5º luga no I Festival Nacional, 2º lugar no VII Brasileiro e vice campeão no Paulista, isso na categoria máster.
Em 83 OP PRO na categoria amador fiquei em 9º lugar e no ano seguinte 16º colocado, no 3º OP PRO em 84, convidei o Ricardinho Toledo, com 16 anos na epóca, levei ele pra Joaquina pra correr o campeonato, acho que foi o seu primeiro evento fora. Augusto Motta também era um nome forte aqui.
Eu tinha o patrocínio da Costa Norte do Rafael e através da revista Surfer, o Rafael viu as primeiras tri-quilhas e me propôs fazer uma prancha tri-quilha pra fazer um teste.
A primeira ficou muito ruim, e depois de uma mudança na posição das quilhas a prancha ficou show.
O Bocão fez a quadriquilha, mas foi pouco aprovada na época.
Rege Galvão: E como se envolveu com a Associação Ubatuba de Surf.
Em 80 a AUS foi fundada pelo fato do Paulo Issa ter uma associação de surf (ASU) em Ubatuba e ser morador de outro lugar, por isso decidimos fazer a nossa associação para fazermos competições aqui.
Em 81 quando voltei de uma viagem do Peru, me reuni com o Rafael da Costa Norte (na sua fabrica), Jean Claudi, Jacob, Rafael, Jefão, irmãos Acqua, Fernando Liberal, Pierre e ali depois de escolhermos os nomes, começou a AUS.
Meu nome saiu como presidente, na época eu competia e não fiquei muito feliz com isso, mas depois deu tudo certo. O Jefão saiu como vice. A diretoria foi até 85.
Na segunda diretoria fiquei como diretor executivo e o Jefão como presidente.
Na época do Sundek eu era diretor executivo. Fiquei na AUS até 92.
Rege Galvão: Você esteve em uma final épica no Circuito Municipal ano passado em Itamambuca com Ricardo Toledo e Tadeu Pereira, na qual o próprio Tadeu ficou emocionado por ter participado, como você avalia essa final?
Peguei ótimas ondas até então tava com 52kg, me encaixei naquele campeonato e fiquei muito emocionado por ter feito aquela final.
Rege Galvão: E o apelido Nenê, vêm de onde?
Quando eu morava em SP tinha uma brincadeira de alta costura e cada um tinha um apelido e o meu era nenê, um costureiro da alta na época.

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